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Repórter Retro 100

Este é o Repórter Retro 100, produzido pela A.R.N.O. (Agência Retropolitana de Notícias)!

Do que falamos?
Trilha sonora

Random Chiptune Mix 44

Antes de sair…

Os episódios do Repórter Retro estão, como todo o conteúdo de Retrópolis, em muitos lugares: Spotify, Google Podcasts, Apple Podcasts, Deezer e, usando nosso feed RSS, qualquer programa para escutar podcasts. Ou então, se você é dazantiga que nem a gente, pode baixar o MP3 deste episódio clicando neste link para escutar mais tarde.

Além disso, não se esqueça de deixar seu comentário aí embaixo; afinal, seu comentário é o nosso salário. No entanto, caso você prefira, entre diretamente em contato conosco.

Linux (ou “Linux”) para micros de 8 e 16 bits!

O barbudo aí do lado — que por muitos anos foi o principal desenvolvedor do kernel do Linux, abaixo apenas do Linus Torvalds — é criador de dois sistemas operacionais estilo Unix para micros clássicos (ou velhos) que estão sendo atualizados ativamente nos dias de hoje: ELKS (para micros movidos a Intel 8086/8088, como os IBM PC e XT) e Fuzix (para várias plataformas de 8 bits).

Sir* Cox retirou-se do desenvolvimento do ELKS mas ainda está muito ativo no Fuzix, para alegria geral desta Municipalidade. O ELKS segue sob a batuta de Gregory Haerr, programador, empresário e paraquedista nas horas vagas.

O site The Register publicou nestes dias uma ótima história resumida dos dois OSs que condensa o básico que você precisa saber.

* O “Sir” é por nossa conta. Um dos muitos tomadores de chá que não recebeu o título de Cavaleiro, mas devia

Muito tempo atrás, num Galaksija muito, muito distante

Uma coisa que pouca gente sabe sobre os países comunistas pré-queda do Muro de Berlim é que nem toda a atividade comercial ou de produção era controlada pelo Estado. Especificamente, empresas pequenas, de fundo de quintal, eram solenemente ignoradas (dependendo, claro do que estivessem vendendo) pelas regulações absurdamente restritas que empreendimentos de médios para cima sofriam. Já falamos algumas vezes aqui sobre a proliferação digna de Tribbles dos clones de Spectrum na URSS, e temos um episódio todinho dedicado à computação por trás da Cortina de Ferro.

Caso em questão: o Galaksija, micro baseado em Z80 e (muito) vendido na Iugoslávia dos anos 80 e 90. A novidade é a seguinte: ano passado, o criador do projeto, Voja Antonić, resolveu relançar o micro como kit (assim como nos anos 80, já que via de regra não era vendido montado), fiel à arquitetura original mas com a possibilidade de usar chips ocidentais em vez dos clonados — únicos disponíveis nas Repúblicas Democráticas Populares da vida por conta dos embargos à exportação de tecnologia pelo Ocidente.

Stephen Cass narra sua aventura montando um Galaksija em 2023, e o artigo todo, além de ser uma leitura muito divertida, é cheio de links suculentos, como por exemplo o vídeo abaixo, de uma palestra sobre computação em geral na Iugoslávia:

Tirando leite de Spectrum

Os desenvolvedores russos Alone Coder e Dragons’ Lord portaram, acredite se quiser, uma engine 3D para o ZX Spectrum. Veja a demo:

Os desenvolvedores da versão original da engine recomendam um Z80 de 14 MHz, mas isso aí é a velocidade normal de um Spectrum, sem turbo nem nada, a 3.5 MHz (!!!!!)

Mais detalhes (em espanhol) neste link no site El Mundo del Spectrum. O demo pode ser baixado aqui.

Russo, né? Russo não é normal.

(Via KlaxMSX)

The Future Was 8 Bit recria mais um: Jupiter Ace

O kit Minstrel 4D está em pré-venda e é um clone raiz do primo esquisitão dos Sinclair que fala Forth: o Jupiter Ace.  Implementado com componentes discretos, ou seja, Z80 e outros chips de apoio reais. (Assim como o projeto anterior deles, um clone do Commodore Pet.) Em forma de kit pra você, por meros 299 reixarles e 99 pence, montar e ter as mesmas alegrias que o Ricardo teve com o Omega MSX. (A Secretaria de Saúde de Retrópolis adverte: a declaração anterior pode conter sarcasmo.)


Lembrando que antes desse kit eles também fizeram uma versão mini da mesma máquina.

(Twitter, via Klax MSX)

Big Uncle of the To See

Nosso chapa David “Usagi Electric” Lovett deu um tempinho na saga épica do minicomputador Centurion para falar de um brinquedinho novo velho clássico que ele conseguiu: um processador de texto — na verdade um computador Z80 dedicado — fabricado pela empresa Wang Laboratories.

Só que Wang, além de ser o sobrenome do cavalheiro de origem chinesa que fundou a empresa, em inglês, é uma gíria conhecida para… bem, pesquise.

O resultado foi uma total incapacidade de manter a compostura neste vídeo. Os comentários também estão cheios de pérolas. (Mas garanto que o vídeo também vale a pena pela tecnologia.)

O bicho não funciona, portanto esperamos que Usagi-sama o ressuscite para que possamos mencioná-lo na seção Rise from Your Grave com a maturidade que nos é peculiar.

Mosca Branca do dia: Sony SMC-70GP

Máquina baseada em Z80, rodando CP/M e, notavelmente, o primeiro computador pessoal a usar disquetes de 3″½! O Samuele, que conseguiu esta máquina, está atrás justamente dos disquetes, já que veio a máquina completinha, com manuais (aparentemente alguém até se deu ao trabalho de traduzir partes pro italiano e imprimir numa matricial), mas… sem software.

Esta versão GP do SMC-70 (leia mais aqui) é específica para edição de vídeo — tem hardware adicional para genlock/superimpose. Amiga antes do Amiga?

Esperamos ardentemente que uma cópia dos softwares (para a versão PAL, os da versão NTSC já existem online) ache o caminho pra casa do Sam lá na Itália. Fotos:
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E o MicroAce volta à vida (bandida)

Sabe o MicroAce sobre o qual falamos ontem?

Pois então, o Augusto Baffa botou ele pra funcionar! Coisas que precisaram ser mexidas:

  • Limpeza do teclado;
  • Amplificação do sinal de vídeo;
  • Troca de cristal e de capacitor do clock;
  • Troca do Z80;
  • Troca de dois chips lógicos 74xx;
  • Regulador de voltagem.

Aí o bichinho funcionando, com direito a mensagem de erro alterada. (Num ZX80 seria “6/-2”)

Opa, peraí, não vai embora não, tem cena pós-créditos!

A. Baffa, o Caso. (Ou: Picaretation In Seattle)

Nossa história começa quando este humilde escriba tem um pensamento aleatório: “Poxa, faz um tempão que eu não abro o Hackaday. Vou ver se pintou alguma coisa retro por lá”. Começo a olhar o blog e logo acho, postado nos últimos dias, um camarada que recriou o ZX81 numa placa nova, com direito a construir um teclado de membrana do zero. Maneiro.

E ora vejam vocẽs: o camarada é brasileiro! Carioca! Nome: Augusto Baffa. E o micro recriado, como já era de se imaginar, não foi exatamente um ZX81, mas um dos clones pizzaiolos tupiniquins, o TK82C. Que foi o Micro Formador do molequim Augusto, lá pelos idos de 1990. (O micro já era obsoleto e foi cedido pelo pai como ferramenta de aprendizado. Pelo visto, deu certo.)

Papo vai, papo vem, eis que a gente marca de almoçar e o sr. Baffa é agora o feliz proprietário de um clone altamente mosca-branca de Sinclair: o MicroAce. Clone não de ZX81, mas do anterior, o pai de todos: o ZX80.

Os picaretas fabricantes do MicroAce tiveram uma ideia de “jênio”: inverteram duas das vias de dados que levam do microprocessador para o chip de ROM que tem o BASIC descaradamente copiado da Sinclair. Assim, teoricamente, as ROMs seriam diferentes e os advogados de Sir Clive não notariam. Funcionou tão bem quanto vocês devem estar imaginando.

Rapidamente a MicroAce botou o galho dentro, pagou uma soma não revelada de Reagans (ou Thatchers) à Sinclair, e passou a vender uma versão revisada sem a picaretagem e com a ROM licenciada. Mas esse exemplar aí da foto é “Issue 1”, com a picaretagem. O Augusto fez um dump da ROM, e eu fiz um programinha em C para desfazer a inversão de bits. Clicando neste link você pode baixar o fonte e a ROM picareta. (A original da Sinclair, pra comparar… você acha por aí. Não queremos a visita do personagem aí em cima.) Resultado: a ROM do MicroAce só difere da da Sinclair em UM mísero byte: eles resolveram formatar as mensagens de erro com o caractere “:” em vez de “/”.

O fato de que essa mudança de byte significa isso pode ser verificado olhando a listagem da ROM do ZX80 – rotina MAIN-5, label L04A8.

No momento em que escrevo, o Augusto está interrogando o meliante fuçando com o micro e em breve esperamos que o elemento confesse ele volte a funcionar em toda sua glória de falsiane ianque.

MicroAce, por cima MicroAce, por baixo

E antes que eu me esqueça, o TK82C redivivo não é a única coisa interessante que o Augusto botou no Hackaday.

Adendo: este post tem continuação.