A saga do Omega MSX Computer parte 17: Omega e mais sarna pra me coçar.

Bem, então, acabei de montar o Omega. Tive a inestimável ajuda de vários amigos, entre os quais eu destaco o Fabio Santos (que fez meu micro ir mais a Santos do que eu mesmo), Victor Trucco (que me ajudou com os primeiros problemas dele), Alan Figueira da Costa (não é MSXzeiro, mas é CADista, então me ajudou com as mudanças no gabinete), Marcos Antônio (que consertou minhas lambanças com o teclado de um Omega e me ajudou com o teclado do outro Omega) e o Clécio Lopes (que me ajudou com o Omega 2 – afinal, estava ainda na garantia!). Tem mais gente, e se você participou de alguma forma e eu não te citei… Manda um comentário aí embaixo e já te peço desculpas.

Esse micro ficou com alguns probleminhas, por exemplo: A SD-Mapper v. 2 não funciona nele. Não entendi o motivo, mas mesmo com uma fonte de 5A, ela não funciona. O outro problema é que a fonte é de 5A. CINCO AMPÈRES. Um monstro. Mas é porque a fonte de 3A que eu tenho, gera ruído na imagem. A de 5A é limpa. Então vai ela mesmo. O último revés é que o slot 2 ficou levemente torto, então alguns cartuchos entram meio forçados. Mas foi-me dito por alguém que entende muito mais de eletrônica do que eu: Let it be. Deixa do jeito que está. Dessoldar e ressoldar seria agressivo demais. E vocês sabem que eu não sou lá um primor nesse processo. Mas para mim, está ótimo.

Então, esse micro tem sido o MSX que mais tenho usado ultimamente. Nesse exato momento, ele está ligado a uma placa de captura USB, pelo S-Vídeo, aqui do lado. Ele tem sido usado para capturar imagens para o meu projeto literário que estou finalizando, e que vocês saberão em breve.

Mas você acha que acabou?

Não, não acabou. E eu fui procurar mais sarna para me coçar.

Os botões (do Omega antigo).

Antes, deixa eu fechar uns pontos que ficaram pendentes… Como os botões. Esse Omega ficou com o gabinete transparente, mas eu decidi fazer uma concessão, e colocar botões metálicos nele. Botões metálicos são bonitos. Logo, os botões de power (com trava), de reset (sem trava) e de chaveamento da BIOS (com trava)  foram trocados por botões de metal.  Se você viu essas fotos no Google Fotos, eu estava usando botões de plástico, mas decidi trocar.

A maior dificuldade foi onde colocar os botões, de forma que não esbarrasse em nada que lá dentro estivesse. Você pode até dizer que ficou mais fácil, já que o Omega 1 é mais alto. Sim… E não. Porque posicionar os botões é mais complicado do que parece: São três dimensões a serem levadas em conta. Então, não basta ajustar no eixo X, tem que ver no eixo Y também, e tem que levar em conta o eixo Z: O botão tem uma certa profundidade, que não pode esbarrar em nada lá dentro. E eu ainda quis usar emendas de encaixe: Caso eu resolva abrir o micro (espero que não), é só desencaixar a emenda e desmontar, não tem nada exatamente preso.

Mas como eu não sou gerente de projeto e de produto… Deu trabalho.

Somado a isso, tive que aprender a furar acrílico. Meu avô era um marceneiro amador, e quando faleceu, só deixou ferramentas para o meu pai (pelo menos não deixou dívidas). Ele dividiu algumas das ferramentas entre os filhos (eu e meu irmão), e eu peguei uma furadeira manual, com o qual brinquei muito quando criança. A vantagem é que quem determina a velocidade da broca é você, e pode ser bem devagar.

Comprei (muito antes do Omega) umas brocas de madeira, fiz o furo para guiar, coloquei a broca e… O furo é feito por mim girando a engrenagem. Acabou ficando muito bom, e consegui acertar a posição dos botões.

Eu quis por botões metálicos porque são mais bonitos. Já que o gabinete seria transparente mesmo, melhor um botão bonito do que um botão feio. E, para completar, eu usei um botão luminoso no power. Como a placa da fonte tem tensão de 5V disponível para um drive, liguei o LED nela, e quando ligo o micro, o botão acende, conforme você pode ver na foto abaixo.

Ficou muito legal, eu já me peguei ligando o micro só pra ver o botão acender! Mas fazer as ligações é meio chato, então tive que fazer com calma e atenção.

Se você procurar na AliExpress ou no Mercado Livre, encontrará uma infinidade de botões metálicos a venda: Botões que acendem e que não acendem; botões com LED azul, vermelho, verde, branco e de outras cores; botões de 8, 12, 16 e até 30 mm de diâmetro; botões com trava e sem trava; botões com parafuso para prender o fio, e botão onde você tem que soldar o fio; botão fundo e botão raso. Tem de tudo, inclusive esse botões rasos, que tem uma profundidade bem pequena.

A configuração final ficou o seguinte: Lado esquerdo, botão de power (com LED). Lado direito, primeiro o reset e depois o chaveamento de BIOS. O gabinete ficou todo transparente com exceção do fundo, que foi feito em acrílico preto. O micro ficou isso aí que vocês vêem na foto abaixo, e quem aparecer em algum encontro de MSX que eu vá em 2024, é possível que encontre com ele.

O Omega 2.

Mas eu não sosseguei, e  conforme falei na parte 15, comprei o Omega que estava quase completamente montado pelo Clécio. Como disse naquela parte, ele montou o primeiro Omega que eu tinha visto. E recentemente, ele decidiu vender o dele. E pior, ele vendeu por um preço muito baixo, tipo 30% a menos do que eu gastei pra montar o meu.

E aí, eu menciono a esquete clássica do Mussum… Visitem lá para ler, não vou repetir.

O micro chegou nas minhas mãos faltando alguns itens – bem poucos. No caso, faltava o soquete da bateria CR2032 (tinha uma bateria soldada), as portas de joystick, os jacks de vídeo composto e áudio, a porta de impressora e a barra de pinos para expansão.

A barra de pinos continuou lá vazia, já que eu não pretendia por uma expansão de memória ali – menos chance de dar mau contato. De todos, o único item que eu não tinha comigo era a porta de impressora, então encomendei uma na AliExpress. O resto eu mesmo soldei, e ficou… Aceitável. Uma das portas de joystick ficou um pouquinho mais alta do que a outra, mas é algo bem pouco perceptível. Chegou a porta de impressora e eu soldei ela lá no lugar. E fiquei olhando pro micro… O que eu faria com ele?

O teclado.

Para soldar as teclas todas alinhadas, o antigo proprietário tinha removido as chaves de um teclado mecânico genérico, pegou a máscara metálica como molde e usou ela para alinhar e soldar tudo.

Era essa a placa. Eu quis tirá-la do teclado. Por mais que deixasse tudo alinhado, era um peso extra e desnecessário dentro do micro – na minha opinião. Então, eu decidi que deveria remover essa peça acima, mesmo que corresse o risco de desalinhar as teclas e/ou fazer besteira.

E como fiz isso? Bem… Dessoldar tudo. E esse tipo de coisa a gente faz em encontro mesmo, porque haja paciência, e novamente, amigo é aquele que a gente coloca na roubada, porque o inimigo a gente não quer nem de perto. Corta pra Jaú 2023. Levo esse Omega ainda sem gabinete, e o Marcos Antônio (o mesmo que orou durante o processo de reparo das ilhas que eu ferrei e ele resolveu) aos poucos e com habilidade ímpar, dessoldou tudo. Obrigado novamente. E quem iria soldar tudo de volta? Eu, claro. Afinal, preciso de prática de solda, o micro é meu… E lá fui eu. Claro que várias teclas ficaram tortas, então eu colocava a placa na vertical, e com uma mão esquentava a solda. Com a outra, torcia levemente a chave de tecla para colocá-la na posição certa. Deu certo e alinhei a maior parte das teclas. Ainda tem umas que estão um pouco desalinhadas, e assim ficaram. Mas só eu, que sou chato e sei disso, é que iria me preocupar. A questão é que hoje em dia, com os cabelos brancos, tenho deixado muita coisa pra lá. Esse papo de ser perfeccionista tem ficado no passado. Recentemente, vendo um vídeo do Jan Beta (aquele alemão que espirra e o vídeo tem 10 minutos), é que entendi porque usar essa peça metálica. Mas mesmo assim acho que fiz a opção certa – o micro passou a pesar muito menos.

As teclas.

Depois de muita, mas muita, mas MUITA busca na AliExpress, achei um conjunto de teclas que eu achei que ficaria bacana com esse Omega novo. Por conta disso, ainda recebo propaganda de capa de tecla até hoje… As capas de teclas anteriores eram do teclado mecânico gueimer que o antigo proprietário tinha adquirido, e havia algumas teclas faltando. Além disso, as teclas padrão do MSX (SELECT, CODE, GRAPH e STOP) obviamente não tinham nos conjuntos disponíveis na AliExpress, então eu comprei um conjunto de teclas (esse aí de baixo) e comprei teclas lisas, sem nada escrito, e decidi gravar o que eu queria nelas.

Bonito, né? Como eu estava pensando em um gabinete em acrílico azul opaco (falo melhor disso no futuro), achei que combinava perfeitamente. Me baseei nesse casemod de Amiga 1200 aqui:

Só não queria que fosse brilhante. Nessa altura da vida, gabinete fosco é muito mais atraente do que brilhante – ao menos para mim.

E as teclas que são específicas do MSX? Bem, comprei algumas na AliExpress (tamanho 1,25U), e mandei pra gravadora a laser que eu tenho aqui (uma Daja DJ6) pra gravar. Consegui alinhar do jeito que achava que deveria ser e mandei ver. Como o laser dela é de 3W, plástico ela grava até que bem – mas esqueça aço, por exemplo. E aí eu gravei os textos nas teclas específicas e as substituí.

Bem, na próxima parte eu acho que encerrarei a saga (viva), falando da fonte desse Omega 2, do gabinete e da montagem final. Como sempre, as fotos estão disponíveis no álbum do Google Fotos. Então, se você quiser se adiantar e ir lá ver… Fique a vontade. Até lá!

 

 

 

 

 

Sobre Ricardo Pinheiro

Ricardo Jurczyk Pinheiro é uma das mentes em baixa resolução que compõem o Governo de Retrópolis. Editor do podcast, rabiscador não profissional e usuário apaixonado, fiel e monogâmico do mais mágico dos microcomputadores, o Eme Esse Xis.