CP/M: um arquiteto desconhecido da microinformática… E alguns comentários.

Este é o título de um artigo no site It’s FOSS, falando a respeito do sistema operacional da Digital Research que todos nós conhecemos e que há algum tempo se tornou open source.

Mas nosso amigo Marcelo Sávio, que nos passou o link, enviou alguns comentários seus a respeito do CP/M, MS-DOS, IBM… Que valem a pena serem trazidos. Lembrar que falamos de CP/M inúmeras vezes, começando pelo episódio 11. E sobre o IBM-PC, falamos em vários episódios, começando pelo 41, passando pelo 44 (ambos com a participação de mestre Laércio Vasconcelos).

Segue a fala do Sávio:

A Digital Research Inc deu muito mole ignorando a IBM, quando essa estava em busca de um sistema operacional para o futuro IBM-PC. A Digital estava em andamento com o projeto do sistema operacional 16-bits (CP/M-86) e não quis saber de mudar nada para o futuro novo microcomputador da IBM que usaria o processador Intel 8088.

E a IBM acabou sendo a grande impulsionadora da Microsoft, com o DOS do IBM-PC.

Mas o que nem todo mundo sabe é que o Bill Gates teve pelo menos dois momentos de grande sorte:

  1. Apesar da Microsoft já ser conhecida e lucrativa por desenvolver a linguagem BASIC pra maioria dos micros de 8 bits da época (final dos anos 1970), a aproximação da IBM se deu por conta do relacionamento da mãe do garoto Bill (Mary Gates) com o então presidente da IBM (John Opel). Ambos eram do comitê executivo da United Way of America, uma ONG de filantropia nos EUA. Aí num desses encontros do board UWA rolou um “meu filho trabalha com informática e já tem uma empresa, se puder, dá uma força pro garoto”. E ele deu. Uma empresa de 70 anos , 400 mil empregados, US$ 30 blihões de faturamento contratou uma empresa de software de menos de cinco anos, liderada por um rapaz de vinte e poucos , ainda que já faturasse US$ 1 milhão por ano com licenças de software (Basic e Fortran) para micros.
  2. Ele não só mandou avaliarem a Microsoft pra fazer o BASIC do IBM PC como naquele momento a IBM também decidiu que não poderia ser dona exclusiva do sistema operacional do PC. Justamente porque a IBM estava envolta num mega processo anti-truste que a acusava de dominar/manipular o mercado justamente porque era dona do hardware E do software de todas as suas plataformas (mainframe e midrange). Esse processo se arrastou até 1982 e foi encerrado sem penalidades pra IBM, que gastou mais de US$ 200 milhões com advogados. A última coisa que a IBM queria era naquele momento, início dos anos 1980 e no final de um processo que sinalizava positivo, dar munição aos que a processavam conseguirem ganhar (“ain mas a IBM que já domina grande e médio portes e agora está querendo dominar o mercado de micros!”)

Por isso a IBM estrategicamente decidiu abrir a arquitetura do PC e usar componentes de mercado (processador Intel, disk drives , placa de vídeo etc) e principalmente, o software seria licenciado de outra empresa que, por sua vez poderia licenciá-lo também para terceiros, que poderiam fazer PCs compatíveis se assim quisessem.

A IBM tentou negociar um sistema operacional com a então dona do CP/M (Digital Research Inc.), que era o sistema operacional de 8 bits mais famoso daquela época. A Digital estava começando um projeto de sistema operacional de 16 bits (CP/M-86) mas não avançaram na negociação. A IBM estendeu então essa oportunidade pra Microsoft e o garoto Bill – que apesar de não ter um sistema operacional pronto e nem nunca ter desenvolvido um – pegou a oportunidade na hora. E depois foi atrás de ver como fazer o tal sistema operacional. Pra ganhar tempo partiu pra comprar os direitos de autor do código do Sistema operacional QDOS da Seattle Computer Products e trazer seu principal desenvolvedor (Tim Patterson) para trabalhar pra Microsoft.

O resto é história.

Sobre Ricardo Pinheiro

Ricardo Jurczyk Pinheiro é uma das mentes em baixa resolução que compõem o Governo de Retrópolis. Editor do podcast, rabiscador não profissional e usuário apaixonado, fiel e monogâmico do mais mágico dos microcomputadores, o Eme Esse Xis.

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