A saga do Omega parte 18: A caminho do fim, com o Omega Blue.

Toda saga tem um fim, e essa se encerra (acredito eu) nos próximos posts. Já falei muito do Omega transparente, e recentemente as atenções se voltaram pro Omega 2, que eu resisti bravamente a fazê-lo em acrílico vermelho e não chamá-lo de Omega Red. Pelo contrário, escolhi o azul porque eu não tenho nenhum MSX azul, mas tenho alguns MSXs vermelhos (como um Toshiba HX-10). Então, este é o Omega Blue mesmo.

Aqui, falarei um pouco dos percalços com esse novo MSX, e o resultado final. Como ficou grande, eu vou dividir em 3 partes (18, 19 e 20) para encerrar a saga. Aqui, eu falo do gabinete, das teclas e dos LEDs.

O gabinete.

Fundo azul do gabinete do Omega blue.
Fundo azul do gabinete do Omega blue.

Ao contrário do outro Omega, nesse aqui eu decidi seguir o modelo de gabinete que o Sergey Kiselev colocou no github do projeto. Basicamente, o mesmo gabinete que o Omega anterior, mas com a diferença de que eu decidi montá-lo em acrílico azul opaco. E o projeto do russo é bem bacana, principalmente para mim, que não entendo de projeto e produto. Seguramente, este será o MSX 2+ mais fino que eu tenho, e um dos menores. A única personalização é que eu quis colocar os botões de reset e de chaveamento de BIOS em algum lugar. E aí, vem o problema de sempre: onde coloco os botões?

Foi um pouco complicado decidir onde colocar os botões sem que eles encostassem em partes internas do micro – esse é um micro com perfil baixo, então fica um pouco mais apertado, e com isso, um pouco mais complicado. E ainda piora por usar acrílico fosco: No acrílico transparente, pelo menos você vê mais facilmente o que está acontecendo. No acrílico opaco não, é um pouco de adivinhação e um tanto de medição e matemática.

Botão pendurado para fora do gabinete do Omega blue.

Então, eu decidi colocar os botões de reset e de chaveamento de BIOS na frente, mas não sem antes tentar colocar na lateral, ver que não daria certo (mais acrílico inútil cortado) e usar como lateral direita do gabinete, mesmo com os buracos – posteriormente eu troquei essa peça, quando mandei cortar mais acrílico azul.

Na frente, mandei pro corte com a medida certa, e os botões encaixaram muito bem… Mas não ficou perfeito: O botão de chaveamento da BIOS deveria estar 1 ou 2 mm abaixo de onde ele está. Com isso, o gabinete não está 100% encaixado – se você olhar bem, verá que o canto inferior direito (olhando de cima) está levemente desencaixado. Eu teria que descer esse botão um pouco. Não pretendo mandar cortar outra peça só por causa de um buraco que deveria ficar 1 mm mais baixo, mas vou apelar para a lima, gastar um pouco embaixo e descer o botão. Espero que ele encubra a aspereza do local.

No final das contas, a posição dos botões ficou diferente, mas gostei: Saiu da lateral e foi para um local onde não era previsto, que na frente, no lado oposto das portas de joystick.

Sim, ficou feio, eu admito. Mas ninguém está vendo e eu vou arrumar isso depois… Tipo, nunca.

Eu quis que todos os botões e LEDs estivessem com emendas nos fios. Logo, quando eu precisasse desmontar o micro, bastaria desconectar tudo e soltar os encaixes para retirar. Isto demandou o uso de fita isolante para prender os fios na parte de baixo do teclado (mostrarei depois), e facilitar a minha vida. Se fosse um PC e não um MSX, já teria fritado. Usei do mesmo recurso das emendas com os LEDs, mas a respeito desse assunto, eu falo depois.

Arranjo interno para ligar os botões do gabinete do Omega blue.
Olha só como ficou o arranjo interno para ligar os botões.

Os LEDs.

Os LEDs do Omega blue.

O Omega transparente ficou com os LEDs embaixo das teclas, o que é discreto… Até demais: Eu mal consigo ver quando o CODE foi pressionado. O Caps Lock então… Só se eu quiser muito ver. O LED de power é mais fácil, ainda mais com o gabinete transparente. Logo, nesse Omega, eu decidi fazer algo diferente, e decidi soldar por baixo fios que seriam conduzidos a LEDs que ficariam presos na tampa do gabinete.

Os fios para realizar a solda foram outro problema. Sabe-se lá porque motivo eu não achei os cabos jumper que eu tinha comprado há algum tempo (cegueira minha, achei tudo depois), então tive que usar alguns fios que eu tinha em casa… E sabe aquela caixa de fios que todo homem herda da família? Pois é, eu herdei uma caixa de fios rígidos e finos, que era do meu avô.

Já devo ter falado por aqui que meu avô era um marceneiro amador, e montou uma maquete de modelismo ferroviário para os netos brincarem, ou seja, eu e meu irmão. Isso foi no final dos anos 1970, início dos anos 1980. Meu avô faleceu (2006), a maquete veio para minha casa (2010), ela foi reinstalada para ser usada (2019)… E sobrou esses fios. Pensei: Vamos usar eles.

Mas fio rígido é uma desgraça para manipular. O fio é duro, ruim de mexer, soldar então… E tem fio ali que é revestido com tecido. Sim, pano! Mas tem aqueles já revestidos de borracha também, ufa. Tem a vantagem de que é fio de cobre, mas há uma certa perda, justamente por ser fio de cobre… No final das contas, e com a ajuda de alguns amigos (obrigado, Clécio e Rogério), soldamos os fios por baixo e puxei a fiação para ligar os LEDs.

Então eu decidi fazer três furos na tampa de acrílico para posicionar os LEDs. Pensei em prender com cola quente – ainda mais que a minha esposa é a pistola de cola quente mais rápida do oeste, como a maioria das professoras do ensino fundamental. Fiz os furos no centro do gabinete… E conversando com um amigo (abraço, Leonardo Suarez), ele me falou dos suportes para LEDs.

Gente, eu nunca tinha visto isso. Nem sabia da existência. E são peças baratas, tipo 5 reais no total. Bacana, você monta o LED dentro, solda o cátodo e o ânodo nos fios e a peça é presa por rosqueamento. Comprei 3 suportes pretos (não tinha o prateado), fui lá, montei nos buracos… E o gabinete não fechava.

Segue o drama dos LEDs no gabinete do Omega.
Segue o drama dos LEDs no gabinete do Omega blue.

Caraca, que saco. Acontece que suporte + LED + fios com engates > altura do gabinete. A solução foi mudar a posição dos LEDs. E lá vou eu procurar uma nova posição para colocar os LEDs… E achei uma adequada, acima das teclas de função. Curiosamente, os LEDs ficaram igualmente espaçados, entre os conectores traseiros. Fiz os furos, passei os suportes, prendi tudo…. E ficou ótimo.

A tampa do gabinete está no momento com três furos inúteis. Mas, como cortei mais uma tampa de acrílico azul para esse micro, trocá-la-ei assim que eu tiver disposição para abri-lo e fazer as mudanças necessárias. Uma delas é mexer no botão… Que eu mencionei lá em cima.

Quase lá?

Bem, a saga está chegando ao fim. Decidi fechar logo tudo, aproveitando que as histórias estão frescas na cabeça, aconteceram recentemente e com isso posso passar mais detalhes para vocês. Pretendo escrever mais dois posts explicando o que falta ( o próximo é a respeito da fonte desse Omega), e espero que você tenha lido isso tudo e se animado a montar um micro para você. Pode ser um TFMSX, um Omega MSX 2+ mexido pelo merlinkv (cheio de SMDs), ou algum baseado em Commodore 64, ZX-Spectrum ou outra máquina clássica. Não é barato, eu sei. Mas eu acho que vale a pena.

Como sempre, as fotos novas e antigas estão nesse álbum do Google Fotos. E vamos falar de fonte na próxima parte, a penúltima! Até lá.

PS: A saga terá um poslúdio, que será a parte 21. E eu achando que encerraria na 20…

Sobre Ricardo Pinheiro

Ricardo Jurczyk Pinheiro é uma das mentes em baixa resolução que compõem o Governo de Retrópolis. Editor do podcast, rabiscador não profissional e usuário apaixonado, fiel e monogâmico do mais mágico dos microcomputadores, o Eme Esse Xis.

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