Quinta do pitaco: E o MSX3 do Nishi? Novidades? Sim, muitas.

Você deve lembrar dos três posts que eu fiz, naquela nossa seção não muito frequente, chamada Quinta do Pitaco. Nem sempre foi quinta, nem sempre foi pitaqueira… Mas acabou ficando.

E a última série de posts nessa seção (esse, esse e esse aqui), Kazuhiko Nishi, esse japonês sessentão que vocês veem aí do lado, falou do seu projeto sobre o… MSX3. Acho que o Nishi dispensa apresentações, mas se você não o conhece, volte no início desse parágrafo, clique no primeiro link e leia a biografia do Nishi que eu coloquei lá.

Mas todo MSXzeiro sabe que o MSX3 é um ser mítico e inexistente, como o Papai Noel, o Coelhinho da Páscoa e o sistema operacional 100% seguro… Até agora.

O Nishi tem postado de forma furiosa a respeito do projeto no seu Twitter, e dizer procês… Está difícil de acompanhar. Não só porque ele posta em japonês (e eu entendo 何でもない de japonês), mas porque o texto é repleto de buzzwords da moda: Supercomputação, IoT, ARM64, RISC-V e por aí vai. É uma conversa meio dispersa, ou como falamos muito aqui no Brasil, muito vapor para pouca solidez.

Mas deixa eu sossegar o meu ceticismo e falemos do que o Nishi disse. Acabarei me detendo mais em posts em inglês, devido, claro, à maior facilidade de compreensão – além do mais, o Nishi fala e escreve bem em inglês, coisa rara na Terra do Sol Nascente. Muitas informações o Nishi trouxe também respondendo tweets de outras pessoas, então na medida do possível eu comentarei também o que ele falou para todos.

Enfim, vamos falar das novidades.

Em 24 de fevereiro de 2022, Nishi afirmou que o suporte ao chip V9990, da Yamaha, seria adicionado ao projeto do MSX3. Isto foi um longo questionamento da comunidade, mas parece que ele cedeu. Foi também a primeira postagem dele após a minha série de posts aqui no Retrópolis, falando a respeito do projeto (os links estão lá em cima).

Em 17 de março de 2022, ele falou sobre o som, um dos recursos do MSX mais amados pelos fãs. Ele disse que o licenciamento do SCC junto à Konami estava sendo providenciado, mas estava definindo o que seria adicionado em termos de PCM (recurso disponível e pouco usado no MSX Turbo-R). Mas ele disse que We will have all MSX audio. Ou seja, nós teremos todo o áudio do MSX. MSX Audio, MSX Music, PCM, PSG… Tudo isso estaria disponível na plataforma nova.

Em 30 de março, ele declarou que o próximo MSX teria uma CPU virtual (Uma Máquina Virtual?) com um processador ARM de 64 bits. Logo, o código compilado para ARM 64 bits seria compatível com o MSX3 e os próximos MSX (?!). E, no dia seguinte, ele relatou que esteve numa reunião com o Presidente Suzuki (sem piadas de quinta série, por favor), da D4 Enterprise, e que todas as bibliotecas do Project EGG funcionariam no MSX3. E ele estava muito feliz com isto.

Pausa para relembrar vocês de quem é a D4 Enterprise e o Project EGG.

A D4 Enterprise é uma empresa japonesa, que para o que temos a dizer, é aquela que foi encarregada de distribuir o OCM (One Chip MSX) anos atrás. A meta era vender 5000 unidades em 45 dias. Quase atingiu essa marca, e eu colaborei com isso duas vezes (comprei um OCM, vendi por falta de dinheiro e depois comprei outro). Sabemos que a distribuição do OCM era limitada apenas ao mercado japonês e que não chegou à Europa devido a problemas de adaptação do produto aos padrões europeus. Tem toda a história da empresa Bazix, q falamos no segundo post da última série.

O Project EGG (Engrossing Game Gallery, ou galeria de jogos envolventes) é uma plataforma de distribuição digital para jogos clássicos de várias empresas japonesas como Compile, Square, Carrylab, Falcom, Kogado, etc. para diferentes sistemas, incluindo MSX, MSX2 , MSX2+ e MSX TurboR .

Logo, o suporte ao Project EGG e suas bibliotecas (leia-se: conjunto de DRMs criados por eles para poderem jogar jogos de plataformas clássicas sem o risco da pirataria) seria garantido no futuro MSX3 do Nishi.

Feito isto, vamos continuar com os posts do Nishi. Em 8 de junho, ele relatou que o modo CGI do Linux (?!) estava funcionando no MSX3 com processador ARM32. O próximo passo era colocar os chips de vídeo (V9958, V9990), suporte ao MSX-BASIC e ao MSX-DOS. E veio abaixo essa imagem:

O notebook é um Dell, rodando Windows 10… Mas a mim, não disse muita coisa. Bem… Sigamos.

Dois dias depois, Nishi, mandou esse tweet (traduzido), com mais uma imagem ilustrando o texto. A tradução é minha.

Estamos discutindo a próxima geração, após o MSX 3. Esta é uma imagem do engine do MSX 3 e da próxima geração conectada para um cluster MSX de 64 bits de muitos núcleos. O máximo de 16 engines de próxima geração, empilháveism, terão 64 CPUS ARM de 64 bits e Linux. nós finalizaremos as especificações antes de iniciar a produção do MSX Engine 3.

No dia seguinte, mais dois tweets:

Em um, ele disse:

É claro que o software antigo e legado para MSX será executado nos futuros MSX, e eu talvez peça a todos os potenciais usuários para pararem de escrever código para Z80 e R800, e agora escrevam apenas em ferramentas de alto nível para código em máquinas virtuais de 64 bits para manter a compatibilidade binária para um futuro distante. A VM64 será executada em X86, ARM32, ARM64 e RISC V.

E no tweet seguinte, ele afirmou:

Certa vez eu pensei em fazer um MSX 2+ ou Turbo-R em um chip SoC  para termos uma solução de IoT barata. Mas eu decidi não fazê-lo por causa do poder computacional que será necessário para segurança. Serão necessários de 2 a 4 CPUs 32 bits para tais aplicativos. Esta foi uma decisão que eu tomei anos atrás, e eu acho que eu estava certo.

Bem, vocês querem minha opinião? Se sim, pode continuar a ler. Senão, pula uns parágrafos aí.

Eu já expressei minha opinião sobre esses projetos de várias maneiras, inclusive mantenho todos os pontos que coloquei no terceiro post da série anterior. Mas já vou aproveitar e falar algumas coisas… Ninguém pediu mas eu decidi falar assim mesmo.

  1. Criar um SoC não é NADA BARATO. Acho que ele não participou das negociações que deram origem aos chipsets que nós conhecemos como MSX-Engine, só pode… Aposto minha mão esquerda (e olha que eu sou canhoto) que foi complicado, custoso, muitas reuniões ocorreram… Não é preciso ser muito inteligente para concluir que foi um processo difícil. Afinal, eram várias empresas reunidas, pitaqueando, opinando, discutindo… E a Casio chateando todo mundo pra fazer ainda mais barato.
  2. Eu até entendo que para um projeto de futuro, já tem que pensar no que sucederá o seu projeto atual. Nenhum centro de pesquisas ligado a quaisquer empresas trabalha com o item que será lançado no mês que vem, mas talvez com o produto que será lançado no ano que vem. Mas sou só eu, ou o papo dele está viajante demais? Como falei no início, muita buzzword, muito vapor e pouca solidez. E vapor é algo que quem tem mais tempo em qualquer comunidade retro, já viu até demais.
  3. O projeto do sanduíche de placas não diz muita coisa, além do óbvio: São quatro placas com mais uma conectada pro outro lado, o logo MSX visível em uma e… Mais nada. Multiprocessamento, vários núcleos, 64 bits… Tá, e daí?
  4. Mas que autoestima da p*rra que o Nishi tem… Ele acha que a comunidade inteira vai abraçar o projeto dele e deixar 12 milhões de MSXs vendidos no mundo, dezenas de milhares de softwares criados, centenas de hardwares… Só porque ele falou? Se nem Jesus Cristo foi unanimidade (teve 12 seguidores e um deu unfollow e o traiu), ele acha que ele é? Ahã.

Agora, dois comentários:

  1. Curiosidade, o core da placa é Linux, mas ligou num notebook com Windows 10?
  2. Por que já não foi logo pro RISC-V, em vez de usar ARM? Só vou dizer uma única vantagem do RISC-V sobre o ARM: Licenciamento. Mas se você quiser saber mais do RISC-V, além do verbete na Wikipédia (que eu coloquei aí em cima), recomendo esse artigo do Tecmundo que explica melhor a respeito.

Mas… Você pensou que acabou aqui?

Não, não acabou. Aliás, só aumentou. Mas esse assunto fica pro próximo post.

2 pensou em “Quinta do pitaco: E o MSX3 do Nishi? Novidades? Sim, muitas.

Os comentários estão fechados.