Iron Man: Crash

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Jogo? Não, história em quadrinhos! De acordo com o subtítulo na capa a “Iron Man : Crash” é a primeira graphic novel feita utilizando inteiramente um microcomputador. Trabalho de Mike Saenz e de Bill Bates — eu disse Bates! — utilizando para o desenho, pintura e modelagem em 3D o estado da arte da tecnologia(sic) da época: um Macintosh II. Foi publicada pela Marvel (dahh!) em 1988, tem 72 páginas sendo 7 delas um ensaio do próprio Mike Saenz descrevendo os procedimentos e ferramentas utilizados na confecção do quadrinho.

O pessoal do PorPor Books fez uma excelente resenha sobre o enredo, publicou imagens do quadrinho e citou dois fatos curiosos a respeito de Mike Saenz. O primeiro é que ele publicou em 1985, através de uma editora independente, um quadrinho produzido por computador, o Shatter,  neste caso usando um Macintosh (ou Macintosh 128) e inteiramente na base do MacPaint — ele desenhava em preto e branco, imprimia em matricial e depois os pintava. A outra, pega carona no nosso Episódio #69 já que ele é o autor do MacPlaymate.

A história com o Homem de Ferro não vendeu bem. Em 1990 foi a vez do Homem Morcego ter sua graphic novel computadorizada (pois é DC, a Marvel chegou na frente) e também produzida em um Macintosh II¹!

Pois é, soa estranho nos dias de hoje, uma época em que os termos “ilustração digital” e “ilustração” tornaram-se quase que sinônimos, alguém não utilizando algum tipo de ferramenta computadorizada para este tipo de trabalho mas na virada para a década de 1990 era pura novidade e quanto mais burburinho gerasse, melhor. Razão para conter o “computer generated” em destaque na capa — estaria piscando se fosse possível.

(¹) Sendo mais preciso um modelo com 8MiB de RAM, 45MiB de disco rígido e monitor de 19 polegadas.

4 pensou em “Iron Man: Crash

  1. Guardo até hoje a graphic novel “Batman: Justiça digital”, que, se não me falha a memória comprei na virada de 1989/1990. Como graphic novel é mediana e vale mais pelo ineditismo de ter sido uma das primeiras HQ’s concebidas, realizadas e finalizadas digitalmente. Novamente, se não me falha a memória, o artista é um espanhol chamado “Pepe Moreno” que também criou alguns jogos em CD ROM para PC e Mac; um deles teve um certo sucesso comercial, acho que o nome é “Hell cab” ou “Taxi hell” (não tenho certeza do nome). Sei que ele era um ardoroso entusiasta dos Commodore Amiga e no início até tentou usar seus Amigas na criação artística das “graphic novels” mas chegou num ponto em que. ele acabou tendo de dar o braço à torcer e reconhecer que em matéria de “desktop publishing” e finalização artística e gráfica os ‘Macintoshs” eram (pelo menos na época) incomparáveis e indispensáveis; mas ainda assim o Amiga ainda acabou contribuindo e deixando a sua marca em alguns momentos daquela graphic novel, se não me engano (novamente) na renderização de alguns objetos tridimensionais (veículos, aeronaves, etc). E lá se vão quase 30 anos desde o tempo em que arte feita usando um computador era uma coisa tão espantosamente inovadora e curiosa!

  2. Salvo engano meus irmãos mais velhos compraram essa revista. Realmente a história não era lá essas coisas pelo pouco que me lembro, mas o visual era muito bacana pra época.

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