Resenha: “CoCo: The Colorful History of Tandy’s Underdog Computer”

coco

Todos esperavam que a resenha deste livro fosse feita pelo Juan Castro, um dos principais “escatológicos” do grupo (vale lembrar que ele não é o único), mas como há um certo conflito de interesses (ele colaborou com material e é citado no livro), resolvi pegar esta tarefa para mim…

…mas talvez o Cesar também se empolgue em escrever sua própria resenha com suas próprias impressões.

O livro, que já foi citado por aqui, é de autoria de Boisy Pitre e Bill Loguidice, publicado pela CRC Press, lançado no começo do ano de 2014 e disponível nas principais livrarias “do bairro” em formato físico (brochura, 192 páginas) ou digital. E está dividido em doze (simpáticos) capítulos abordando um tema específico do computador comercializado pela Tandy Radio Shack entre os anos de 1981 e 1991 que, apesar de não ser tão idolatrado quanto o Apple II ou vendido quanto o Commodore 64, é o computador que ocupa um lugar especial em corações e mentes de um grupo bastante ativo (e inventivo) de usuários.

Como não poderia deixar de ser, os primeiros capítulos tratam das origem da Radio Shack e também da Tandy (duas empresas com origens distintas tendo a Tandy adquirido a Radio Shack em 1963). E do início da parceria deles com a Motorola no final da década de 1970 no projeto “Green Thumb” (por assim dizer o avô), que veio  virar VIDEOTEX (o pai) e, finalmente, do próprio TRS-80 Color (assunto do episódio #28 do podcast — aliás ler o livro me dava a impressão de estar ouvindo novamente o episódio).

Os capítulos seguintes tratam da Rainbow (a principal publicação e inteiramente dedicada ao TRS-80 Color e criadora do termo “CoCo”), da Microware (a criadora OS-9), do ecossistema que girava em torno do computador e da complicada relação dele dentro da Tandy com a constante cobrança de se reduzir o custo de produção para mantê-lo economicamente viável — o que aliás culmina com a gênese do CoCo3, quase que um subproduto esta política de barateamento — E algo que não poderia deixar de ter, um capítulo para citar sobre os clones do CoCo pelo mundo, inclusive por aqui. Certo Juan?

Seguindo, a inevitável parte chata o capítulo que tratam do dia, já no remoto ano de 1991, em que a Tandy desistiu do TRS-80 Color e o do da Rainbow dois anos depois (“Chapter 10 – The Time Has Come”). Porém, antes que o livro vire uma choradeira só, os capítulos finais discorrem sobre a vida pós-Tandy, e daquilo que realmente mantém uma máquina viva: seus usuários. O desenvolvimento de software, a descoberta dos “segredos” do HC6309 e novo hardware (inclusive os projetos de novas máquinas para ser o CoCo4) para manter vivo este simpático computador vira-lata.

Um livro de leitura fácil e bastante agradável (dedo do Bill Loguidice, o Vintage Games também é assim) e não necessariamente voltada para os usuários do CoCo. É um livro imprescindível para os retrocomputeiros curiosos por saber das histórias, principalmente sobre os bastidores como a briga para seguir a “nova” regulamentação da FCC, o boicote branco da Microsoft ao desenvolvimento do CoCo3 e a trapalhada geral que foi a versão nunca lançada do Last Ninja.

Para encerrar, um causo digno de nota! Não pelo conteúdo mas pelo local onde foi dito e pronunciada pelo engenheiro da Tandy, John Prickett, dentro das instalações da Motorola Semiconductors em Tempe, Arizona com seu diagnóstico sobre o motivo pelo qual apenas um dos dois protótipos do CoCo2 funcionava:

(…) After studying both boards, Prickett pointed out in jest, “This one works because it has a Fairchild 555; the other one has that piece of shit Motorola 555.”

0 pensou em “Resenha: “CoCo: The Colorful History of Tandy’s Underdog Computer”

  1. O livro realmente é uma delícia de ler, e, se comparar com o sofrimento que é passar por determinadas partes do “Commodore: a Company on the Edge”, é um bálsamo.

    Pena que não dá pra ler no aparelho Kindle, só no aplicativo do Kindle pra Windows 🙁

    1. O “Atari Inc: Business is Fun” também tem uma redação bem tosca. Parece que os autores, ao contrário do Boisy e do Bill, não aprenderam Inglês direito na escola.

      1. Seu senti algo assim com o “It’s behind you…”, a minha mente sempre via vírgulas em lugares que o autor deveria tê-las colocado.