… E tirei a Sherazade da caixa!

Como cristão protestante que sou, sempre acreditei que, apesar de serem de religiões distintas, os homens podem conviver em paz se mantiverem o respeito mútuo. E, como matemático que sou, tenho muito respeito pelo trabalho de grandes matemáticos árabes, entre eles Ibn Musa al-Khowarizmi (daonde vem o nome algoritmo), Said Al-Andalusi (historiador, governante e matemático), entre outros, que nos deram o sistema numérico, os algarismos indo-arábicos… E por aí vai. (*)

Essa introdução foi só para dizer a vocês que chegou um novo morador lá em casa. Quem diria, um árabe morando na casa de um cristão… E se dando muito bem! Sim, chegou o meu MSX 1 da Yamaha, um Al-Alamiah AX200.

Ficou curioso? Então continua lendo aí embaixo…

Como alguns sabem, a Sakhr/Al-Alamiah encomendou micros padrão MSX à Sanyo e à Yamaha, com localizações para o mercado do Oriente Médio, como por exemplo, a opção de escrever no alfabeto árabe (que, entre outras coisas, é lido da direita para a esquerda). Existiram 13 modelos de MSX 1 e 6 modelos de MSX 2 lançados pela Sakhr/Al-Alamiah, todos idênticos aos micros japoneses. Ah, a empresa existe até hoje. Clica nesse último link aí para ver.

A história desse novo item da minha coleção (o sétimo, e não será o último) foi a boa e velha pesquisa nos eBays. Apesar de alguns terem voltado seus canhões consumistas para o Yahoo! Auctions japonês e os freighters, como o Shopping Mall Japan, sempre é saudável olhar as novidades. Claro, não é saudável para o bolso.

E, num belo dia no final de 2012, apareceu um AX200 à venda no eBay alemão. Segundo o proprietário, em ótimo estado de conservação, funcionando e com duas teclas meio solta (se não me engano, o direcional para baixo e o Select). O vendedor, um polonês (patrício!) muito bem-humorado, me pediu para tomar uma cerveja estupidamente gelada por ele (sim, ele escreveu o trecho em destaque em português), e disse que está vendendo tudo o que ele tem e que não é Commodore, já que o foco dele agora são os micros dessa empresa norte-americana.

Ganhei o leilão, com um lance que superou o maior até então por UM euro, em um sniper bid digno de 007, ou seja: Nervos de aço. O lance fatal foi dado por mim a menos de 1 minuto do fechamento do leilão. Faturei um MSX 1 da Yamaha por um preço não muito agradável, mas dá um tempo, é um Al-Alamiah! Quando eu iria conseguir um micro desses? E nessa matei 2 questões na minha coleção “Um fabricante, Um MSX“: Agora tenho um Yamaha, e de quebra, tenho um MSX árabe. U-hu!

O que demorou foi o acerto para o envio do micro. O polaco parceiro tinha acertado tudo para que fosse feito o envio via DHL, que é um dos conhecidíssimos serviços de courier disponíveis, os quais fatalmente eu seria taxado – A chance É de 100%. A gente vai falar um pouco desses serviços na próxima série de artigos sobre leilões (não percam). Logo, conversei com ele, que concordou em enviar o micro por outro meio, mais lento, para que a chance de eu ser taxado fosse menor. E foi pela via marítima mesmo.

O pacote saiu da terra dos meus avós no dia 17 de janeiro, tendo sido postado dia 15. E passaram-se longos 49 dias até ter alguma notícia do pacote. Dali, de São Paulo até minha casa, passaram-se mais 10 dias entre trâmites internos e a entrega. Não, não fui taxado. E todos comemora!

Vou deixar os detalhes técnicos para outro post, mas por enquanto, divirtam-se com algumas fotos espalhadas pelo post, o álbum (in)completo aí embaixo, e um BÍDEO! E sem edição.

Unboxing Al-Alamiah AX200

Nota: O álbum está incompleto porque ainda tirei algumas fotos a mais, e que foram adicionadas ao mesmo. Esperem novidades para breve.

(*) Tá, eu sei da importância dos hindus na matemática, vieram primeiro do que os árabes… Mas vocês entenderam.

PS: Se vi certo, esse é o post número 500 do R+. Parabéns para nós! 😀

Sobre Ricardo Pinheiro

Ricardo Jurczyk Pinheiro é uma das mentes em baixa resolução que compõem o Governo de Retrópolis. Editor do podcast, rabiscador não profissional e usuário apaixonado, fiel e monogâmico do mais mágico dos microcomputadores, o Eme Esse Xis.

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  1. Valeu pelo post.

    Muito bem explicado as “origens” deste MSX Árabe.

    As contribuições do Oriente às ciências e filosofia são vastas.

    Uma pena que pagamos até hoje o preço de um mundo dividido pela intolerância religiosa. 🙁

    Envie mais fotos caso decida convertê-lo para MSX 2!

    Abraços,

    e1000

    1. Malditas Cruzadas… Acredite, existiu um tempo antes delas q muçulmanos, judeus e cristãos conviviam na mesma cidade, em harmonia, como deveria ser. Curioso é q alguns costumes árabes nós conservamos, como o aperto de mãos. Outros arrotam depois do almoço, mas aí para nós, ocidentais, é porcaria mesmo. =)

      Eu fiz mais algumas fotos dele por dentro, e subi para o álbum, não sei se você viu. Quero fazer um segundo post falando do que descobri, como por exemplo como deixá-lo um MSX 1 padrão, ou a questão do slot proprietário Yamaha embaixo (espetei um SFG-01 e funciona), s/ contar fotos dos programas em ROM q ele tem. E sim, quando eu passar ele para MSX 2 (c/ a ROM do AX350, q apareceu em Leme), eu irei documentar e publicar aqui.

      Ainda teremos + notícias a respeito. Aguardemmmmmmm. 😀

  2. Esta foi a quingentésima (que nome feio!) postagem! E só pra ficar nas estatísticas este é o quingentésimo, quadragésimo quinto comentário! Justamente, temos uma média de 1,09 comentário por postagem!